TRISTE BALANÇO

            Nunca se viu uma novela global tão cheia de erros como a última, Salve Jorge. O Brasil noveleiro ficou a rir das falhas da autora, do continuísta, do diretor de cena, enfim, de tudo que se viu! Nem mesmo as cenas que pudessem suscitar a comoção do telespectador foram aproveitadas pela direção.
            Das incoerências verificadas, não basta citar que na Turquia todos falam português fluentemente (?). Não basta citar que os voos daqui pra lá e de lá pra cá são mirabolantes, de tão rápidos e precisos (?). Não basta lembrar que houve personagens que sumiram da trama, simplesmente, sem deixar sequer vestígios! A inexpressível atriz  Vera Fischer se queixou de seu papel insignificante na novela? Jogue as mãos para o Céu, minha cara, pois outras personagens sumiram e você ficou! Fazendo o quê ninguém sabe. Nem me lembrem o ridículo que foi o Russo (Adriano Garib) não descobrir que Lohana (Thammy Miranda) não era Lohana! Outra faceta cômica da novela: Teo (Rodrigo Lombardi) transou com Morena (Nanda Costa) logo após o parto da moça, um mês depois, no máximo dois. Ora, Morena tivera o bebê em uma caverna, sozinha, sem levar pontos no períneo após o enorme esforço (a moça berrava de dor) que fez para obter passagem para a criança; além do mais, a mãe ainda a amamentava no peito. E o moço, no contato íntimo com a amada, não reparou nas mudanças em seu corpo e nem percebeu que o leite vasava de seus peitos!!! Ou seja, ela conseguiu ocultar dele que tivera um filho naqueles dias. Não precisa comentar os detalhes desse absurdo, não é leitor?
            Mas, de todos os erros observados durante a vigência e no final da novela Salve Jorge, o mais gritante me parece ser o tratamento que a autora Glória Perez deu aos assassinatos cometidos pela personagem Lívia Marini. A vilã nos pareceu mais punida pelo tráfico de mulheres e de bebês do que pelos homicídios. Ora, a mulher tinha por hábito assassinar friamente as pessoas com uma seringa, e isso foi mostrado ao telespectador mais como um “acidente de percurso” observado na trama do que um gesto odioso. E tem mais! A mim me parece que a Glória Perez esqueceu muito depressa o que significa perder uma filha assassinada, pois ela perdeu a chance de trazer à baila a dor de uma mãe que enterra uma filha morta em circunstâncias bárbaras. Poderia ter explorado o caso da filha de D. Leonor (Nicete Bruno) bem como o da traficada Jéssica (Carolina Dieckmann) filha de uma mulher da classe pobre, ao invés de priorizar somente o sequestro da criança filha do casal protagonista, conflito guardado para os últimos capítulos. Ora, como deixar em brancas nuvens a punição para os assassinatos de Lívia? Se matar com uma seringa foi mostrado de forma ridícula e fantasiosa por demais, a autora perdeu a chance de se redimir no desfecho para tal aberração. Esperávamos muito mais castigos para a personagem Lívia, além de um simples par de algemas e de uma prisão confortável. Principalmente porque ficou no ar a hipótese da vilã subornar... quem?  pasmem todos!!! O diretor do presídio!!! Essa não! Desta vez creio que a Glória Perez ensandeceu...
           







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