PARA ELA O PARAÍSO É SEM GRAÇA

             Em novembro do ano passado lemos no artigo de Danusa Leão, intitulado “Ser especial”,  que “bom mesmo é possuir coisas exclusivas, a que só nós temos acesso; se todo mundo fosse rico a vida seria um tédio” e que “não há  a menor graça em ir a Nova Iorque ver musicais na Broadway e encontrar o porteiro do prédio”.  Agora a famosa socialite se pronunciou a respeito da PEC das domésticas, a recente lei que concedeu às empregadas domésticas alguns direitos por elas conquistados junto às Leis Trabalhistas que regem o nosso país. A tal colunista se indignou com a iniciativa. Achou-a um absurdo!
            Pois é, gente. Com certeza essa mulher ainda vive o regime da sinhazinha e da mucama. Por certo, sem a serviçal à sua disposição 24 horas por dia, a vida dela seria o caos e ela não admite mudanças nessa sua posição privilegiada. A integração da doméstica nos direitos conquistados soa-lhe como uma insurreição da escrava, pois esta deve continuar a ocupar o “seu lugar” dentro da Casa Grande. Não se espantem com isso. Danusa não está sozinha neste comentário, pois esta é a opinião de uma boa parte dos brasileiros. Mas, que a distinta senhora fique tranquila. Infelizmente o Brasil ainda mantém o ranço da escravidão, tornando-se o paraíso das desigualdades (segundo Danusa, a igualdade criaria o tédio). Perdemos apenas para Honduras, Guatemala e Colômbia.
            Segundo o economista Reinaldo Gonçalves, da UFRJ, “com raras exceções, as políticas do governo Lula limitaram-se a alterar a distribuição de renda na classe trabalhadora (salários, aposentadorias e benefícios), sem alterações substantivas na distribuição funcional da renda, que inclui, além do salário e das transferências, as rendas do capital (lucro, juro e aluguel)”. Portanto,  a elite da qual Danusa faz parte continuará a multiplicar os seus bens e a usufruir do capital acumulado. Que ela fique sossegada, pois! No Brasil ainda prevalece a ideia de que “cada um deve ocupar o seu lugar”.
            E qual seria o lugar da elite, se houvesse no país um líder que nos levasse a lutar pela igualdade social? O que nos falta é isso, é um Homem (ou uma Mulher, por que não?) que nos arrebanhe com as suas ideias e nos lidere no combate ao crime que se comete contra a classe média. Não errei não, leitor! Quero dizer contra a classe média, mesmo. No final das contas, quem sempre paga o pato é a classe do meio! Os muito ricos nada sofrem em suas economias. A maioria, enriquecida ilicitamente, continuará a roubar de nós, os trabalhadores. Alguns deles são os políticos das quadrilhas de corruptos que sairão ilesos após o julgamento do Mensalão, vocês sabem disso. O Lula, (que deverá ser investigado, segundo Roberto Jefferson), do montante apurado no roubo espalhou migalhas à classe baixa, que bate palmas achando que ele e seus comparsas são os heróis que tiram do rico para dar a eles. Os pobres não sabem que os governantes poderiam dar muito mais, sem roubar de quem paga exorbitantes impostos em dia, sem roubar de quem trabalha e não pede esmolas, porque não tem preguiça de trabalhar.
            Fique tranquila, distinta senhora Danusa, fiquem tranquilos, senhores políticos corruptos, fiquem tranquilos senhoras e senhores do socialite brasileiro, a senzala apenas mudou de endereço: os escravos são agrupados, hoje, na classe do meio, na coluna do meio. É ali que se encontra o pelourinho. Nós somos chicoteados, mas rimos da dor com as nossas piadas e com o nosso samba, e seguimos ingenuamente a sustentar a moralidade para que a imoralidade se abrigue nas Casas Grandes de Brasília e das grandes capitais.
           
           
           

Nenhum comentário:

Postar um comentário

Deixe aqui o seu comentário sobre o blog

Contato

  • profestacioq@ig.com.br

Obrigada por acessar o meu blog !

Seguidores