A maior injustiça que se comete contra o cão é chamar a alguém que detestamos de cachorro. Nunca se ouviu dizer que este animal considerado o maior amigo do homem tenha traído, delatado ou negado o seu dono. Nunca!
No entanto, quando se quer ofender alguém logo o chamamos de cachorro!! Ainda está para nascer quem me explique a razão de tamanha impropriedade e injustiça com o nosso fiel companheiro de todas as horas. Quem não cria este tipo de bicho desconhece do que estou falando. Vê-lo solto nas ruas não dá para aquilatar as suas reações humanas, pois jogado na rua, tendo de lutar pela comida e pelo abrigo, o cachorro é um bicho, claro, uma vez tratado como tal. Mas, quando criado em nossas casas, recebendo de nossas mãos o alimento e a cama, ele se comporta como gente. Impressionante é a sua gratidão! Lambe as nossas mãos, os nossos pés, pula de alegria e denota afeição no olhar. E parece querer falar, com seus grunhidos amorosos. Repito: somente quem o tem por perto no seu dia a dia compreenderá as minhas palavras.
Pois bem. Para tentar modificar o provérbio que intitula o meu artigo, vamos inverter a situação. Digamos que melhor seria preferir ter ao nosso lado um cachorro fiel a um humano infiel. Agora sim! Isto é verdadeiro, pois todos os cães são fiéis aos seus donos. Já o ser humano é uma caixinha de surpresas. Aquele que se diz nosso amigo trai, trapaceia, difama, nega amor ao seu semelhante. Até Pedro, que se dizia um discípulo fiel, negou Cristo, a quem jurara fidelidade eterna!
Outro ledo engano é dizer que fomos criados à imagem e semelhança de Deus. Nós, os homens, criados à imagem e semelhança de Deus?? Nossa! Que Deus é esse, que dizima as criaturas por causa de um pedaço de terra, que mata em combates visando ao poder, que esmaga o outro por ganância de riquezas etc. etc?!
Mais sensato é ver nos animais, principalmente no cachorro, a imagem de Deus! Absurdo? Não! Coerência. Vejamos: Deus e o cachorro estão sempre ao nosso lado e do nosso lado; o amigo não, nem sempre. Deus e o cachorro nos defendem do inimigo; o amigo não, nem sempre. Deus e o cachorro nos perdoam a ingratidão; o amigo não, nem sempre. Deus e o cachorro nunca nos cobram nada; o amigo não, nem sempre. Deus e o cachorro não falam conosco, mas de alguma maneira manifestam o que pensam; o amigo fala conosco, mas de alguma maneira esconde o que pensa. Deus e o cachorro não nos traem; o amigo trai.
Pronto, cheguei aonde queria chegar. A traição de um amigo dói mais do que uma graça não alcançada ou mais do que uma mordida inesperada. Por que digo isso? Ora, porque sabemos que a sabedoria de Deus, ao nos fechar uma porta, sempre nos abre uma janela. E nós sabemos que o nosso cão jamais nos atacaria se não se sentisse ameaçado ou estivesse doente raivoso...
São considerações que embora soem como pieguices a muitos leitores, encontrarão assentimento no coração daqueles que têm em casa o CACHORRO AMIGO!!

Nenhum comentário:
Postar um comentário
Deixe aqui o seu comentário sobre o blog