A POBREZA É FEMININA?!

Em artigo não muito remoto, já me referi aqui ao tráfico de mulheres, tema explorado na novela Salve Jorge. Volto ao assunto somente porque tenho observado que estudiosos dos conflitos sociais alegam dificuldades econômicas por que passam as mulheres como principal fator de atração pelas propostas de emprego no exterior, uma vez que as vítimas, desesperadas com a falta de dinheiro, não se dão conta de que esssas propostas mirabolantes são verdadeiras ciladas do tráfico sexual.      
            Atestam que  “a pobreza é um dos principais fatores para vulnerabilidade a qualquer tipo de exploração” e acrescentam que a pobreza no mundo “é mais recorrente em mulheres”, batizando este fenômeno com o nome de “feminilização da pobreza”.
            Ora, os defensores da ingenuidade feminina no caso da exploração sexual vão mais além. Dizem que as mulheres seduzidas, em sua maioria já foram vilentadas no seio da própria família, ou na escola, ou no trabalho etc. E pesquisas recentes atestam que hoje há mais mulheres escravizadas sexualmente do que em qualquer outro período da história da humanidade. Como explicar, então,  a resistência da mulher do passado à exploração sexual, uma vez que é sabido que o século XXI vê-se diante de um velho problema que apenas ressurge com novos contornos? O que tornava a mulher do passado mais resistente às propostas que lhe eram feitas? Seria a certeza de que não lhe faltaria o “pão nosso de cada dia”, garantia esta obtida no sacrossanto lar, sob a proteção do marido? Seria o freio da religião? Seria o medo da repressão social?    
            Mas não foram contra essas mesmas garantias de estabilidade financeira e social que a mulher se rebelou em nome da liberdade - mola propulsora da bandeira do feminismo - total e irrestrita com relação ao seu corpo e à sua escolha de vida? Onde está a incoerência das cabeças pensantes sobre os direitos da mulher? Como entender que, apesar das reivindicações obtidas, nunca a mulher se viu mais escravizada sexualmente quanto em nossos tempos atuais?! É um paradoxo que me atormenta a razão e deixa perplexa diante do quadro desolador a que nos vimos reduzidas, nós, as mulheres no seu todo...
                                                                                                          


           

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