NÃO CONSEGUIRÃO, MINHA FILHA!!

Pois é. Enquanto mais de cem cardeais se reúnem a portas fechadas no Vaticano, para a escolha do novo Papa, aqui no Brasil, lá na longínqua São Félix do Araguaia (MT), o bispo emérito D. Pedro Casaldáliga permanece na batalha em prol dos povos indígenas brasileiros. Desde os anos 70 o sacerdote guerreiro vem denunciando a exploração do trabalho dos primitivos e verdadeiros donos de nossas terras bem como a destruição da floresta amazônica. Apesar de ter sido acometido pelo mal de Parkinson, o frágil bispo continua a levantar a voz contra a injustiça social, mesmo debaixo das constantes ameaças de morte que tem sofrido pela internet, por telefone e por mensagens no celular. A resistência desse pastor católico é de se admirar. Já na ditadura militar a sua expulsão do Brasil esteve por um fio de se realizar. Não fosse o pedido do papa Paulo VI para que D. Pedro se mantivesse no país, há muito o brilhante lutador teria sido afastado pelos chefes golpistas e por religiosos da extrema direita. O então papa ameaçou romper as relações diplomáticas do Vaticano com o Brasil caso o sacerdote fosse expulso. Bravo Paulo VI!
D.Pedro Casaldáliga é exemplo da missão apostólica para a qual foi chamado quando ingressou no seminário, ainda jovem e saudável. Genuíno seguidor da Igreja fundada por Pedro, apóstolo de Cristo, ele não interrompeu a luta para aguardar a eleição no novo papa. Perguntado sobre este assunto, na semana passada, ele apenas respondeu ao entrevistador: “mantenho a minha fé na esperança da ressurreição”.
            A reflexão nos leva a pensar que este “é o cara”, plagiando Roberto Carlos. Se todos os sacerdotes focassem a sua missão para pastoreio do “rebanho de Cristo”, quanto mal seria evitado, quantos escândalos não aconteceriam! Já dizia meu falecido pai: - Minha filha, não saia nunca da Igreja Católica. Ela é a verdadeira, tenha certeza disso. A prova é que os padres pelejam para acabar com ela e não conseguem!”
            Sábio João Ribeiro Borges! Quanto mais eu vivo mais acredito nisso. Jamais renegarei a minha religião, pois não vejo a Igreja Católica Apostólica Romana em decadência, apesar dos pesares. São crises que vêm e vão, mas ela permanecerá de pé. É ali, no altar do dono da casa que está a minha fé, a minha esperança de que dias melhores virão. Lamento apenas que os cardeais que já se encontram em Roma, para a eleição do novo sumo pontífice não levem na bagagem um plano de ação aberto a nós, seus seguidores, a fim de que pudéssemos partilhar da escolha do novo dirigente...

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