Sobre o Acordo Ortográfico

O Acordo Ortográfico vigente em nosso país desde janeiro de 2009 vem causando polêmicas. É bom lembrar que em Portugal ainda não estão vigorando as novas regras impostas aos oito países cuja língua oficial é o português. O esforço lusitano cresce no sentido de anular esse acordo, esforço esse representado na Assembleia (perdeu o acento, viu? rsrsr) da República e em um abaixo-assinado de 110 mil assinaturas contra o Acordo. Brasileiro é bonzinho, aceitou logo a Reforma. Mas o português é tinhoso... ele reluta. Já perderam o nosso território, no passado, não vão querer perder mais nada a nosso favor...
Há quem lhes dá razão, em parte, aqui no Brasil. Um deles é o eminente professor Ernani Pimentel, de Brasília. Li no Jornal da ABI (fevereiro de 2010) que ele foi ao Senado apresentar as suas razões para depor contra a irracionalidade do Acordo. Lá, ele deixou todos os senadores perplexos com a sua argumentação. Depois, ele entregou ao presidente da ABI o seu texto: Acordo Ortográfico da Língua Portuguesa – Convite à Reflexão e à Solução, no qual reproduziu as observações interessantes e inteligentes feitas no Senado.
Enquanto isso, vamos nós aqui penando para decorar as novas regras. Algumas são fáceis de lembrar, mas, quando chegamos ao emprego do hífen a coisa se complica. Aproveito para lembrar uma historinha que costumava contar em sala de aula, quando era professora do fundamental, para tentar desfazer a confusão que se faz na escrita de hífen e de item:
O hífen brigou com o item. Ambos disputavam a fama de serem os mais populares entre as dúvidas dos estudantes: - Qual deles é com acento? Qual deles é com m no final? Partiram pra briga. Pois bem: o hífen perdeu a disputa, e, na luta corpo a corpo, ficou sem uma perna do m final, coitado. Mas, em compensação, ganhou um enfeite na cabeça do i, ou seja, o famoso acento agudo. E o item ganhou a briga. Permaneceu intacto. Mas, como lembrar, ainda, quem ganhou o acento? Fácil, foi aquele que é representado por um pauzinho deitado no meio das palavras, uai! Olha o pauzinho na cabeça do i de hífen! E quais são as palavras que precisam dele no meio? Ah, isso é mais complicado, ainda... Só revendo as novas regras (risos).
Pois é. Há várias brincadeiras que costumava fazer para lembrar como se escrevem as palavras, acentuadas ou não. Pior é quando não podemos inventar nada para lembrar... A razão não ajuda a ficção, e as explicações nos endoidecem, de tão arbitrárias que são, não é mesmo?
Deixo aqui uma proposta de discussão: - Por que, ao invés de nos preocuparmos em eliminar as diferenças de acentuação, de pontuação, e outras mais, entre os países irmãos na língua, não nos preocupamos em unificar a significação das palavras? O significado é mais importante do que o significante, nessa hora! Pior do que acentuar ou não acentuar, colocar sinais diacríticos ou não, quando escrevemos, é passar vexame quando falamos com os portugueses, lá em Portugal! Ou os portugueses passarem vexames cá, o que ainda é pior! Vejam abaixo algumas diferenças horrorosas, que às vezes nos deixam de saia justa:

Brasil: Camisinha; Portugal: Durex!
Brasil: Fila; Portugal: Bicha!
Brasil: Pãozinho francês; Portugal: Cacete!
Brasil: Adolescente; Portugal: Puto!
Brasil: Calcinha feminina; Portugal: Cueca!
Brasil: Salva-Vidas de Praia; Portugal: Banheiro!
Brasil: Sanitário; Portugal: Salva-Vidas!
Brasil: Injeção; Portugal: Pica!
Brasil: Crianças reunidas; Portugal: Canalhas!

Há outras, impublicáveis, acreditem!! Querem mais? Visitem Portugal! E cuidado com o vexame, heim? E parem de rir dos portugueses quando cá vêm, eles não têm culpa! (risos) Vamos tentar mudar essa situação, isso sim! Uma uniformização semântica seria a solução para irmanar, de fato, a língua dos países, não acham?!

11 comentários:

  1. Lili, achei interessante as diferenças Brasil X Portugal no que tange aos significados. Também concordo com a uniformização semântica sugerida. Seria mais fácil a comunicação evitando assim o vexame.As impublicáveis, gostaria de saber num bate papo. Pode ser??
    Um grande beijo!!!
    Sineida

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  2. Acredito eu Professora, que esse fato realmente seja uma grande besteira! Um grande camarada meu o qual infelizmente não conheci disse certa vez:

    "A cada dia que vivo, mais me convenço de que o desperdício da vida está no amor que não damos, nas forças que não usamos, na prudência egoísta que nada arrisca e que, esquivando-nos do sofrimento, perdemos também a felicidade".

    e além disso, disse também...

    "O homem vangloria-se de ter imitado o vôo das aves com uma complicação técnica que elas dispensam."

    Acho que temos o grande poder de encontrar problemas onde não existe. Pra que unificar a ortografia? Temos nossa cultura, eles a deles... não disperdicemos tempo com talvez nada...

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  3. Obrigada pelo apoio nas minhas ideias, Gustavo.
    Continue prestigiando o meu blog com a sua observação inteligente!
    Um abraço.

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  4. Gustavo,
    desculpe. Apoio às minhas ideias!!!! Perdão pelo erro!

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  5. Sineida! Como você é curiosa!!!! kkkkkkkkk
    Lógico que a você eu direi as outras barbaridades! Mas ao pé do ouvido, ok? rsrsrsr

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  6. Olá, Professora!
    Adorei o seu Blog, realmente muito informativo e principalmente atual!
    Parabéns pelas observações em relação ao acordo. Aliás também concordo plenamente,é mais importante unificar a semantica da língua portuguesa, pois é relevante para a comunicação entre os diversos falentes.
    Beijinhos e continue fazendo muito sucesso! ;)

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  7. Olá, Dayane!

    Com certeza, inteligente e aplicada como você é, seus comentários serão sempre muito importantes! Continue, ouviu?
    Beijos.

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  8. Oi, professora!
    Parabéns pelo seu blog, adorei!
    Eu acho uma bobagem e pura perda de tempo essa Reforma. Os portugueses ainda não assinaram porque para eles esse acordo é uma afronta. "Brasilificar" o português, é isso que essa Reforma significa para os portugueses.
    Quanto a mim, eu preferia não ter que reaprender a escrever e também concordo que as diferenças relevantes estão nas significações das palavras. Imagina um brasileiro em Portugal ou vice-versa(acho que não perdeu o hífen), tendo que pedir a um português, para traduzir (para o português, rsrsrs) alguma palavra, cujo sentido ele não entendeu? Agora se tem hífen ou não tem hífen, tira o acento ou não: bobagens.

    Mais uma vez: parabéns professora, vou passar sempre por aqui.

    Beijos e sucesso

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  9. Olá, Luciana!

    Vice-versa: está certo, querida!Continua com hífen.
    Que bom que as suas ideias a respeito da Reforma batem com as minhas!
    Volte sempre com os seus preciosos comentários, ok?
    Bjs.

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  10. Oi, Luciana!

    Que bom ver a sua carinha nos seguidores! Obrigada pelo apoio!!!!

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  11. Por nada professora!
    É um prazer!!!
    Beijos

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