O FUTURO QUE ESPERÁVAMOS

Segundo a Wikipédia, “sustentabilidade é um conceito sistêmico relacionado com a continuidade dos aspectos econômicos, sociais, culturais e ambientais da sociedade humana”. Há anos se fala em promover a sustentabilidade do nosso planeta, mas foi precisamente agora, nos dias em que durou a Rio+20, que as nações reunidas tomaram a peito essa árdua tarefa. Sob o título de “O futuro que queremos”, foram assinadas as 49 páginas que constituem o acordo que envolveu os 193 chefes de Estado, no Brasil. Mas, fica no ar uma pergunta: em tão poucas páginas estariam, de fato, resoluções que possam promover a exploração dos recursos naturais de forma a prejudicar o menos possível o equilíbrio da Terra?  Ou a preocupação com a economia de cada país participante foi a tônica que moveu seus governantes para cá? Refiro-me à primazia aos interesses relacionados ao aspecto econômico, em detrimento dos demais: sociais, culturais, ambientais... A pulga está detrás da orelha de cada um de nós, e continuará ali, ferroando nossa pele, até que vejamos o resultado do consenso a que chegou a cúpula dos países participantes. Foi democrático, este consenso? Ou o que se evidencia é que os mais fortes impuseram suas vontades aos demais? Os projetos empresariais já existentes, foram analisados? Citemos, como exemplo, a geração de eletricidade por meio de cata-ventos (o primeiro registro histórico data de 200a.C.!) que reduz a dependência de usinas hidrelétricas, no setor. O Estado da Bahia tem mais de sessenta projetos de parques eólicos em desenvolvimento, tocados por 14 empresas geradoras. Essas empresas foram convidadas a participar da Rio+20? Não sei. Minas Gerais também apresentou, ano passado, um potencial eólico de 40 gigawatts, o equivalente a quatro usinas de Itaipu, segundo a Abeeólica! O Santander comparece na luta com os cheques de papel reciclado, e o HSBC utiliza garrafa PET descartadas na confecção do cartão Solidariedade, cujo emprego pelo usuário gerou um arrecadamento de R$23 milhões para os projetos sociais, desde o seu lançamento, em 2006.  Fora do nosso território, citemos o caso do asfalto feito de óxido de titânio noxer, produto já utilizado nas ruas do Japão. Nos Estados Unidos vemos a bicicleta ecológica, projetada na Universidade da Pensilvânia, ano passado. Estes são alguns exemplos concretos a serem seguidos e imitados. Por isso, abomino as discussões inúteis, os blábláblás, os passeios e as hospedagens caríssimas, os falsos tapinhas nas costas. Todo o Brasil esperava por realizações, e não convenções dispendiosas, custeadas pelos nossos cofres públicos!

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