Os poetas dizem que sim, mas não é a realidade. Estava eu almoçando em um restaurante no centro de nossa cidade, quando perdi o apetite... Sentaram-se à mesa ao lado da minha uma moça gordinha, transpirando bastante, e o seu filho, uma criança de aproximadamente três anos de idade. O restaurante era do tipo self service. A mãe trazia consigo um só prato de arroz, batatas fritas, farofa e carne. Acomodou o menino na cadeirinha em frente a sua. Aí, teve início a operação de amor materno: a mãe cortava a carne em pequenos bocados e soprava o feijão. Depois, fez uma boa garfada com os alimentos e levou-os à boca. A criança reclamou, ameaçando choro. Ela então deu apenas uma mordidinha no bocado e deu o restante para a criança, que se calou para receber o alimento e mastigá-lo. A operação se repetiu durante todo o almoço compartilhado dos dois: ora a zelosa mãe cortava os alimentos para o filhinho os engolir e o filho obediente os recebia como dádiva, ora a inconsequente mulher provava da comida e depois repassava o mesmo garfo à boca da criança, que engolia sem reclamar. Jesus, pobre criança que ainda desconhece o perigo que habita a suave boca da mãe prestimosa! Sabemos que a boca é um ninho de bactérias e que um milímetro de saliva contém 150 milhões delas. Além do mais, um grama de placa bacteriana abriga 100 milhões de micróbios que habitam a nossa gengiva. Sendo assim, aquela criança está sujeita a adquirir da mãe uma candidíase, uma hepatite tipo B (caso haja lesões na mucosa bucal da moça), pois se qualquer objeto manuseado por uma pessoa infectada pode transmitir agentes patogênicos, imaginem a saliva! Se houver uma saburra naquela língua, então, meu Deus do Céu! Depois, quando o filhinho aparecer com uma cárie, ela se admirará do fato precoce. Pior será se ele desenvolver uma faringite brava e o médico prescrever antibióticos poderosos, com seus efeitos colaterais, como por exemplo, a alteração da flora intestinal que acarreta diarréias. Qual! O dia das mães se aproxima, e quero alertar as mulheres quanto ao risco de contaminação de seus filhos... por elas mesmas! Não temos boca de anjo, não, queridas colegas da sagrada maternidade! E não pensem que o meu apetite foi pelos ares somente por presenciar aquele desastroso almoço compartilhado. Ainda tive que sofrer a tortura de ver a moça gorda, suada e inconsequente passar por mim beijando a sua criança na boca, enquanto me exibia o rebento tão apreciado por mim, uma vez que eu não tirava os olhos dos dois!
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