SOBRE OS (CÃO)DIDATOS

Quem me conhece sabe que eu detesto falar de eleições porque não temos decência política que as sustente. Odeio pensar que terei que votar. Melhor seria o voto não ser obrigatório nesse nosso país onde não há políticos verdadeiros, existem apenas politiqueiros. Aqueles que fazem da política um cabide de emprego. Mas, não posso deixar de alertar meus amigos para um grave problema relativo à língua portuguesa, nessa época de campanhas.
A semântica a serviço do poder de persuasão está sendo usada como aliada inocente nos crimes contra a inteligência nacional. A estratégia dos politiqueiros é utilizar a mídia como canal escoadouro da sedução barata e falaciosa. A ordem é adotar uma semântica de guerra contra a capacidade de discernimento do telespectador ou ouvinte do rádio. Os candidatos estão transformando nosso vocabulário em linguagem do disfarce de suas verdadeiras intenções. O famoso consultor do Partido Republicano e ex-assessor do presidente Bush, Frank I. Luntz, explicou publicamente, em 2003, a eficiência da substituição de palavras/expressões nas campanhas eleitorais. Assim, na adoção acrítica de um novo vocabulário arrebanhador de ilusões utópicas, existe camuflada uma falsa visão do que ocorre hoje no mundo. Só mesmo os desavisados não descobrirão que, debaixo de “mudança climática” está escrito que estamos vivendo um terrível aquecimento global contra o qual nada se faz. Debaixo de “florestas sustentáveis” está o apavorante desmatamento, que atinge proporções jamais vistas na face da Terra, e nenhuma medida de contenção é tomada. Debaixo de “personalizar” está o verbo privatizar, que no passado foi condenado e agora vira solução. Debaixo de “guerra contra o terrorismo”, “guerra contra o tráfico de drogas”, está embutida a “invasão aleatória e violenta de bairros e residências pobres”. E, pior: sob a mentirosa “tentativa de nivelamento das classes”, acoberta-se a já famosa e impune “invasão de terras”. Hoje, quem invade é herói. É salvador da Pátria. É o novo Hobin Hood do Brasil, pois é considerado guerreiro incansável, aquele que tira dos ricos para dar aos pobres. (Queria ver o que aconteceria se eles invadissem o Palácio do Planalto ou as ricas Igrejas...)
Ora, segundo, ainda Luntz, “no contexto Ocidental, a relação entre poder e mídia diz respeito a palavras — é sobre o uso de palavras. É sobre semântica. É sobre o emprego de frases e suas origens. E é sobre o mau uso da História e sobre nossa ignorância da História”.
Portanto, minha gente, cuidado com o que ouvirdes! Não vos deixeis enganar pela verborreia dos nossos mal-intencionados c(ão)didatos!

4 comentários:

  1. É,querida,a política em nosso país é mesmo lamentável. Não há candidatos honestos ou plenamente dignos de nossos votos. Cabe a nós escolher o menos pior,não é mesmo? E creio que será uma tarefa muito árdua. Espero pelo dia em que poderemos votar por opção e com prazer.Beijos!!!

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  2. Graças a Deus também uma jovem pensa assim. Parabéns!
    Beijos.

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  3. Olá Maria Eli,

    Eu também preferia não ser obrigada a votar; acho que vou anular meu voto, pois não vejo nenhum candidato digno dele. Pelo menos, depois posso dizer que não colaborei para colocar um indigno no poder.

    Beijos e até logo

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  4. Também eu estou pensando nisso... Mas, por outro lado, sempre o pior candidato está na frente dos outros, nas prévias, e se não votarmos no menos pior, já viu...
    Bjs.
    ME

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