SARAMAGO, DE NOVO!!!

Amigos!


Estive relendo as páginas de Memorial do Convento, de Saramago. Deliciei-me, novamente, com a sua inusitada escritura. E fiquei com vontade de falar sobre esse extraordinário escritor. Mas não somente comentar a sua obra. Falar do homem, José Saramago, da sua personalidade forte e encantadora. Porém, encontrei um artigo publicado no Observatório da Imprensa, que diz tudo o que eu gostaria de dizer. Peço licença ao autor, Washington de Araújo, para reproduzir alguns trechos do seu excelente texto sobre o escritor português:

“Sua estréia como escritor foi pontuada por amplos travessões e gritantes silêncios. O primeiro romance foi publicado em 1946 quando contava 23 anos de idade e o segundo somente veria letra tipográfica depois de 30 anos, em 1976. E fez um pouco de tudo: mecânico, funcionário público, gerente de gráfica, revisor, tradutor, articulista de jornal.”

”Saramago tinha jeito de rio caudaloso, guardando a extensão do Nilo e a vazão do Amazonas, e era dado a conchavos com a criatividade: Evangelho segundo Jesus Cristo, Ensaio sobre a cegueira, A viagem do elefante, Ensaio sobre a lucidez, Memorial do convento, A caverma, Cadernos de Lanzarote. Vendeu mais de dois milhões de exemplares em todo o mundo. Fernando Meirelles levou às telas em 2008 o inquietante Ensaio sobre a cegueira.

Era um autor crítico, utópico, comunista. Diante da Real Academia da Suíça disse que se para ganhar o Nobel tivesse que renunciar às suas convicções, renunciaria antes ao prêmio. Quando, pressionado pela igreja católica, o governo português bloqueou a entrada no país de um Prêmio Literário Europeu, em 1992, ele não demorou a seguir para o exílio nas ilhas Canárias, uma possessão espanhola.

E foi sempre um homem apaixonado. E sua paixão era a mulher, Pilar Del Rio, conhecida jornalista espanhola. "A ela, devo toda a minha vida",diria em 1993. Nada lhe passava batido. São recorrentes suas declarações e impressões sobre os conflitos de Chiapas, o regime cubano, a guerra no Iraque, a causa palestina, o Haiti. Suas idéias esbanjavam clareza. Foi um dos primeiros intelectuais europeus a visitar, ainda em 2002, a Cisjordânia e o que viu lá o levou a comparar o tratamento concedido por Israel aos palestinos com o Holocausto.”

”A ética foi o princípio criativo que brilhou em toda a sua produção intelectual. Achava cômico ser classificado como escritor triste, soturno, melancólico. Dizia ser seu direito esposar o pessimismo após viver em uma época com tantos conflitos armados ruinosos, com a destruição de Guernica, campos de extermínio mantidos pelos nazistas nos anos 1940, explosão de bombas atômicas sobre cidades japonesas, disseminação do agente laranja no Vietnã, os horrores de Abu Ghraib.”

”Para ele a globalização devia ser vista como uma nova forma de totalitarismo e lamentava o fracasso da democracia contemporânea em conter o sempre crescente poderio das empresas multinacionais”.“E era paradoxal tal qual o tempo em que viveu. Embora seus principais romances denotassem intensa preocupação com Deus, afirmava-se ateu militante."A história humana seria muito mais tranquila não fossem as religiões", dizia Saramago.”“Em entrevista à televisão espanhola em fins de 1998 declarou que não tinha tempo para pensar na morte porque tinha muitas coisas que lhe faziam viver. E também não flertava com arrependimento:"Se tivesse que reviver tudo de novo, mesmo com o que há de triste, de mal, de feio, ainda assim, viveria tudo de novo".

Bem, amigos, deixo-lhes esta máxima de Saramago como reflexão: Viver tudo de novo! Será que nós também, em nossa velhice, nos revelaríamos contentes com o nosso destino e dispostos a reviver o passado? Ou sentiríamos vontade de mudar a nossa história, caso essa possibilidade nos fosse oferecida? Pensem nisso...enquanto é tempo, e espelhem-se em José Saramago, aquele que dizia o que pensava, porque pensava, realmente, aquilo que dizia...

7 comentários:

  1. Este comentário foi removido pelo autor.

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  2. Olá Maria Eli,
    É uma pena que Saramago já não esteja entre nós. A literatura perdeu o maior escritor contemporâneo; um autor revolucionário que realmente falava o que pensava.
    É importante mesmo que reflitamos sobre essa máxima. Devemos tentar ao máximo, sermos fiéis a nós mesmos e agirmos de maneira que no final tenhamos pouco para nos arrependermos; e que ao colocarmos tudo o que vivemos numa balança, e pesarmos os prós e os contras(afinal ninguém acerta sempre), o saldo seja positivo; e então, velhinhos podermos dizer: sim, valeu à pena, viveria tudo de novo!

    Beijinhos, Maria Eli

    Ah, já ia me esquecendo: parabéns pelas mais de 1000 visitas, isso é só o começo.

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  3. Querida Luciana,

    Seus comentários são sempre precisos. Obrigada pelos votos de sucesso, no final do seu texto!
    Pois é... Eu, que já estou chegando lá, na velhice, tenho pensado muito em dar o melhor de mim, ser autêntica em minhas atitudes, para que, mais tarde, não me arrependa de nada... Que Deus me ajude!

    Beijinhos...

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  4. Fiquei chocada. Tenho dois livros autografados por ele. Ume parda irreparável.
    Fiquei satisfeita em saber que gostou do meu blog, gosto de contar histórias. Esta semana eu postei sobre uma localidade em Vassouras, município do Rio, onde as pessoas se dizem parentes umas das outras. Sabe como ?
    Confira FOI DESSE JEITO QUE EU OUVI DIZER...
    Beijo grande.

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  5. Parabéns pelo sucesso de seu blog e pelo número de visitas, bem merecidas pela importância dos assuntos abordados. Sucesso sempre!
    abraço
    Domi

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  6. Muito obrigada, querida!

    Volte sempre!

    Abraço.

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