A violência contra a mulher continua ocupando as manchetes do dia. Mas tudo isso seria previsível se atentássemos para as consequências de nossa alienação social, cultural, religiosa, política, ou seja, se ao invés de ficarmos estarrecidos com as notícias detalhistas dos crimes contra a mulher, tomássemos medidas de prevenção contra eles.
O Brasil parou para ouvir a história escabrosa do jogador Bruno e sua vítima. Não se fala mais em eleições, em escândalos parlamentares, nas filas nos postos de saúde e nos hospitais.
A derrota da Copa não foi o suficiente para sacudir a cabeça desse povo que só sente o imediato, o aqui e agora. Não se discute mais nada de peso. Não se reflete sobre as notícias. Apenas as ouvimos. Depois, quando os protagonistas mudam, o interesse se volta para eles, mas ninguém é capaz de promover um debate onde se busquem saídas para as piores situações...
Assim está sendo com relação à mulher. A Lei Maria da Penha não resolveu nada. Apenas protelou uma tomada de medidas maior. A mulher continua discriminada pelos poderes. A mulher continua em terceiro plano. No âmbito familiar, para os machistas, primeiro o trabalho, depois o dinheiro, depois a companheira. Pior se ela for “um caso” como tantos outros... Se for uma pedra no sapato, que seja eliminada, essa sem-vergonha.
Maria Santíssima esmagou a serpente com os pés, segundo a Bíblia. Pois é. Mas os ovos estão sendo chocados, e ninguém se preocupa com isso. A ordem é: que se danem as mulheres assassinadas, que se danem os mendigos assassinados, que se danem todos! Por isto, sempre haverá serpentes com o veneno acumulado para a próxima vítima...
Assinar:
Postar comentários (Atom)
Contato
- profestacioq@ig.com.br

O texto está coberto de verdades. E o que se escuta pelas ruas (dos homens) é o seguinte comentário:
ResponderExcluir- Bem feito. Engravidou só para arranjar uma grana.
Isso mesmo, Silvana!
ResponderExcluirE os machos? Não tomaram precaução, por quê?
Por um descuido, que arquem com as consequências, já que não querem dispor de grana, uai!!!
Beijos.
Querida Maria Eli,
ResponderExcluirAmei seu texto, totalmente verídico!!!!!!!!!!!
O pior que quando passar certo tempo ninguém mais falará desta catástrofe!
Foi o que aconteceu com os casos de Lindemberg, Isabela Nardoni e Suzane Ristoff.
Quando aconteceram todos os canais só falavam dessas notícias e agora ninguém mais se manifesta. O país pára assim que o acontecimento é recente, depois as tragédias parecem ser esquecidas!
O pior é que as injustiças continuam ocorrendo constantemente...
E a Mídia só dá atenção para elas a curtíssimo prazo!
Beijoss!
Pois é, querida. Você confirma o que eu escrevi: nosso povo é muito imediatista, logo esquece o passado...para se interessar por novos acontecimentos. E quanto mais sangue derramado, melhor...
ResponderExcluirO que mais me preocupa nisso tudo é a forma pela qual a cegueira do povo é alimentada pela mídia. Infelizmente vivemos em um tempo em que a formação de caráter se limita aos modelos apontados pelos meios de comunicação. Temos mulheres fantásticas nesse país, no entanto, vemos a mídia abraçar estereótipos de pessoas ignorantes e fúteis e assim influenciar milhares e milhares de pessoas que, sem o senso crítico, vão sempre estar focadas em coisas efêmeras.
ResponderExcluirA mídia aponta questões sociais, mas se interessa apenas pela comoção imediata nacional. A mídia não se preocupa com as causas, tampouco com o seu combate. A mídia se alimenta das nossas fraquezas e a maior fraqueza humana é não se ocupar daquilo que realmente incomoda.
Apoiado, Nathália! Que bom ver você por aqui!
ResponderExcluirVolte sempre, com as suas ponderações interessantes.
Um abraço.