Caros leitores de meu blog e de meus livros,
"Se um filho a nós elogiado é bênção colhida do Céu, um livro apreciado com sabedoria é bênção colhida de nossos esforços de escritora".
A respeito de meu livro premiado na ABL e na UBE - Um amante muito amado: Machado de Assis - recebi nessa semana esta crítica de JAIR FERREIRA DOS SANTOS, ficcionista, poeta, ensaísta e autor, entre outros, do livro de contos A Inexistente Arte da Decepção (1996, Ed. Agir), bastante festejado pela crítica, e do volume de ensaios Breve, o pós-humano. Figura na coleção Primeiros Passos, da Editora Brasiliense, com O que é pós-moderno, trabalho que já vendeu cem mil cópias. É autor do livro de contos Kafka na cama (Ed. Civilização Brasileira, 1980) e do volume de poemas A faca serena, publicado pela Editora Achiamé em 1983 e premiado pela Associação dos Críticos de Arte de São Paulo. Sua obra mais recente, Cybersenzala (contos, 2006, Brasiliense), é finalista do prestigiado prêmio Portugal Telecom de Literatura Brasileira. Colabora habitualmente com a revista Ficções (Ed. 7 Letras) e o Jornal do Brasil.
Transcrevo abaixo, na íntegra, as palavras do ilustre escritor, para que meus amigos comprovem a razão da minha alegria ao ver o meu primeiro filho literário tão habilmente compreendido em sua essência:
Prezada Maria Eli,
Terminei de ler seu livro nesta madrugada. É muito bom, é um belíssimo trabalho pelo relevo e
dificuldade do tema, seu tratamento verbal e o mosaico que vc faz, em escala reduzida, do fim
do Segundo Império. Mesclam-se ali história e ficção num ritmo narrativo sustentado com paixão e
leveza, como conviria a uma narradora romântica mas não irrealista. Grazi dribla de algum modo
as convenções, mas quebra-se contra a personalidade complexa, pouco acessível de um artista
superior, que a ama à sua maneira, porém ama ainda mais a vida ordeira com seus conflitos de
baixa intensidade como plataforma para sua vida espiritual ultra-intensa.
Mas eu penso que, para suportar a má sorte, ela tira forças da sua habilidade
narrativa, sua inteligência inquieta, porque o sabor estilístico das suas cartas à irmã me parece
simétrico à grandeza, à ventura do seu paraíso/inferno afetivo. Grazi, ainda que não seja dito, é tb uma escritora, o que não é pouca coisa para uma mulher no séc. 19, imagino. Ela se orgulha disso,
sem dúvida, inconscientemente. Eu queria destacar sobretudo, Maria Eli, a fluência gramatical e estilisticamente rica do seu texto, que simula a retórica dezenovesca entre nós com um amplo vocabulário, torneios sintáticos os mais variados, marcas de oralidade e bom gosto sempre bem encaixadas, tudo isso a serviço da substância do texto: não é fácil tocar um enredo em que o co-protagonista é Machado de Assis (vc habilmente o mantém praticamente na penumbra da ação), mas a história não perde em momento algum o interesse, e há passagens bastante difíceis de se trabalhar, como aquelas, finais, em que a heroína faz uma síntese da sua trajetória. Essa fidelidade ao conteúdo faz que apareçam fraseados bonitos pelo texto, sem serem puro efeitismo; são apenas a verdade vindo à a tona da linguagem.
Foi hábil também, da sua parte, propor (e realizar) um romance que não se presume profundo, exatamente para deixar a profundidade presumidamente com o menos-dito, isto é, Machado.
Quanto à questão factual – Machado teve ou não uma amante – eu não diria que ela seja
secundária, pois é o tema do livro, mas a mim, pelo seu relato, me pareceu bastante plausível que tivesse, porque um autor cético ou até mesmo cruel pode muito bem não prescindir nem da felicidade nem da dissimulação.
Eu teria um ou outra observação a fazer, mas elas são menores face à sua realização.
Enfim, aqui ficam meus cumprimentos e minha gratidão por conhecer seu trabalho.
Abraço grande, Jair.
GRATA SOU-LHE EU, JAIR, PELA SUA BENEVOLÊNCIA EM LER AS MINHAS ESCRITURAS.
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Contato
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Lili
ResponderExcluirNão venho com a palavra rebuscada
Pois não me considero tão letrada
Mas se faltam-me as palavras
Sobram-me sensibilidade e ação.
Portanto, sinto-me lisonjeada
Por ter sido, por Deus, designada
A lhe fazer a apresentação
Da mediadora do evento literário.
Houve uma troca de livros e idéias
E o Jair fez do seu romance
Uma competente apreciação.
Beijos, Leila Faour
Leila,
ResponderExcluirA mediação foi tão sublime quanto a amizade que você vem me dedicando. Obrigada por tudo!!!
Beijo no seu coração!!!!
Maria Eli
Professora!
ResponderExcluirImagino sua alegria em receber uma crítica tão bem fundamentada.
Acho que para o escritor ,o melhor presente é ver seu texto tocando o leitor de maneira tão completa!
Parabéns!
Angelina
Isso mesmo, Angelina! Quando vemos a nossa intenção desvendada pelos olhos do leitor, a alegria é igual ao dia em que tocamos o livro impresso pela primeira vez.
ResponderExcluirObrigada.
Olá Maria Eli,
ResponderExcluirMotivos não lhe faltam para a sua alegria, que imagino não ser pouca. Faço minhas as palavras da Angelina. Parabéns professora!!!
Abraços
Luciana,
ResponderExcluirFico contente por vê-la sempre por aqui, na leitura de meu blog!
Obrigada!
Anônimo nada! Sou eu, Luciana!!! risos...
ResponderExcluirRsrsrsrs!!! É um prazer!!!
ResponderExcluirBeijos
Este comentário foi removido pelo autor.
ResponderExcluirFico feliz em ver seu trabalho reconhecido. Escreva sempre, querida prof.
ResponderExcluirEscreverei, sim. Valeu o incentivo!!!!!!!
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