A RES PUBLICA DE 15 DE NOVEMBRO

Comemorar-se-á amanhã o dia da Proclamação da República, nome este derivado do latim, “res publica”, ou seja, coisa pública. Parece que os nossos políticos participantes do mensalão estenderam o significado desta palavra para o âmbito de seus próprios bolsos! Mas, chega de falar em mensalão. Vamos lembrar a proclamação do dia 15 de novembro de 1889, que colocou um ponto final na monarquia e instituiu o presidencialismo. Em seguida, à política do café-com-leite, que favoreceu os Estados de São Paulo e Minas Gerais em detrimento das outras regiões do país, seguiu-se a política dos governadores. Esta, iniciada na presidência de Campos Salles, visava a troca de favores entre o presidente e os governadores. Ou seja: apoio aos candidatos nos Estados em troca de suporte nas eleições presidenciais e durante a vigência dos mandatos. Era o famoso toma lá, dá cá. Já o coronelismo, com seu voto de cabresto, utilizava até a violência para obrigar os eleitores a votarem nos candidatos indicados pelos grandes fazendeiros, os afamados coronéis do interior do Brasil. Isto acabou? Em parte. Ainda vendem-se e compram-se votos, tanto no campo quanto nas cidades. E tem mais. Hoje, relembrando os primeiros anos de nossa República - desde a Velha, passando pela Era Vargas até a Nova -, observamos que quase nada mudou no cenário político nacional. A mais recente prova disso foi o apoio irrestrito do ex-presidente Lula aos candidatos, com a sua magnífica performance diante das últimas eleições municipais. Ele orquestrou os eleitores fiéis e seus compadres saíram vencedores. E, convenhamos, esta participação visa à reeleição em 2014, já garantida naqueles Estados favorecidos pela sua intervenção nos palanques. Também o setor de Brasília continua na velha operação de favorecimentos futuros. Lembremos a votação para a redivisão dos royalties do petróleo, na Câmara, dia 6, quando os deputados não aprovaram a destinação dos recursos, na íntegra, para a área da Educação, proposta pela presidente Dilma. Isso significa que os governadores e prefeitos poderão investir as cotas recebidas onde quiserem, e não apenas na área da Educação. Logo, as falcatruas com desvios de verba permanecerão “à volonté”. A não ser que a sanção presidente vete a decisão da Câmara... Enquanto as coisas se desenrolam sob o velho modelo republicano de troca de favores, os brasileiros felizes aproveitarão o feriado de amanhã para viajar e fugir do trabalho. Mais de 6 milhões de carros sairão de São Paulo e das outras capitais do país. E o governo continua a incentivar o setor automobilístico com isenções fiscais. Resultado: efeito estufa agravado e multinacionais rindo da nossa pobre República...

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